Pois é, essa é a pergunta que paira no ar. A explicação deste foco no tema vem dos altos índices de suicídios 1que o mundo tem se deparado nos últimos tempos. Então, vamos conversar um pouquinho sobre o assunto?

Em primeiro lugar, vamos falar de magnitude. Segundo as estimativas de 2012 da OMS (Organização Mundial da Saúde), a taxa de suicídio foi de 800 mil mortes! Isso quer dizer que um suicídio a cada 45 segundos em algum lugar do planeta ou seja, mais de 2.000 pessoas tiram a própria vida diariamente, sendo esta a causa mais frequente de morte entre jovens de 19 a 25 anos. Ainda mais números pensando que globalmente este é o fator responsável por 1,4% do total de mortes e supera a soma das causadas por homicídios, acidentes, guerras e conflitos civis. Os índices variam entre os países. (World Health Organization. Preventive suicide: a global imperative. Geneva: WHO;2014).

Mas afinal, será que toda pessoa que pensa em suicídio tem depressão? O que acontece que em determinadas faixas etárias há um maior número de casos que em outras? Neste caso, precisamos pensar que há diversas crises pelas quais passamos no decorrer da vida e para começar, temos as crises vitais do desenvolvimento, que aparecem conforme vamos envelhecendo, nas passagens de ciclos pelos quais vivemos.

As crises circunstanciais se originam de acontecimentos raros e extraordinários, situações inesperadas, incontroláveis que podem levar a pessoa à experiências e sentimentos de extrema tristeza, angústia, sensação de desamparo, falta de perspectiva de futuro ou de resolução do problema, esgotamento pelo enfrentamento frente ao que se descortina na vida do indivíduo e impotência que vem junto com a ideia de que não haverá solução e que o sofrimento será infinito.

Se tudo isso vier junto então, a vulnerabilidade frente a sensação de reação e adaptação à novos percursos se torna nula e às vezes a única solução, aos olhos daquela pessoa frente àquela situação insuportável acaba sendo o suicídio. Nem sempre esta é a causa, muitas vezes, há a presença de transtornos na área de saúde mental nunca manifestos de forma clara e não tratados e quando há uma situação de turbulência emocional após um acontecimento muito difícil e doloroso, um colapso existencial pode trazer uma crise suicida, nestes casos a capacidade de manter a autonomia e o controle de sua vida se torna muito reduzida e ele precisa de ajuda profissional imediata porque não estará pensando com clareza e qualquer possibilidade ou abertura pode levar diretamente ao ato.

Então, agora podemos pensar sobre a importância de designar um momento para destacar o tema Suicídio.

A busca pela ajuda precisa ser imediata, quanto mais tempo demoramos a buscá-la, maiores as chances deste colapso emocional levar a decisões que impedirão a vivência de tantas coisas boas que temos a viver pela frente e manter a esperança de que a dor vai passar ou amenizar e haverá novos caminhos.

Se você ou alguém próximo apresenta sinais e pensamentos de suicídio, tristeza absoluta, cansaço físico e mental recorrente, falta de perspectiva de futuro, entre outros sinais, não hesite, procure ajuda já!

Referências

  1. Angerami, Valdemar Augusto Angerami. Sobre o suicídio: a psicoterapia diante da autodestruição. Belo Horizonte: Ed. Artesã, 2018.
  2. Botega, Neury José. Crise suicida: avaliação e manejo. Porto Alegre: Artmed, 2015.
  3. World Health Organization. Preventive suicide: a global imperative. Geneva: WHO;2014

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